Qualificação e Mapeamento Térmico de Almoxarifados

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Qualificação e Mapeamento Térmico de Almoxarifados e Centros de Distribuição Durante o Inverno

Com a chegada das estações mais frias, a gestão de logística e armazenamento enfrenta desafios específicos relacionados ao controle de temperatura e umidade. A qualificação e mapeamento de almoxarifados e centros de distribuição durante o inverno é uma etapa indispensável para indústrias farmacêuticas, de cosméticos, alimentos e produtos veterinários.

Durante essa época do ano, as quedas bruscas de temperatura, correntes de ar frio e variações no microclima interno das instalações podem comprometer seriamente a estabilidade de produtos termossensíveis. Neste artigo, você entenderá o impacto do inverno no armazenamento, as normas regulatórias exigidas pela ANVISA e pelo MAPA, e como executar o mapeamento térmico de forma eficaz.

Por que Realizar o Mapeamento Térmico no Inverno?

O mapeamento térmico (ou qualificação térmica) é o estudo responsável por avaliar a distribuição e a uniformidade de temperatura em uma área de armazenamento. O monitoramento contínuo em diferentes estações é crucial porque o comportamento térmico do galpão muda drasticamente ao longo do ano.

No inverno, surgem riscos operacionais específicos:

  • Zonas de resfriamento excessivo (Cold Spots): Áreas próximas a portas de doca, frestas, janelas ou paredes sem isolamento adequado podem atingir temperaturas abaixo do limite mínimo permitido.

  • Correntes de ar e convecção: A entrada de ar frio externo ao abrir portas para carga e descarga causa variações bruscas no microclima.

  • Falhas em sistemas HVAC: Equipamentos ajustados apenas para refrigeração no verão podem não responder corretamente à necessidade de manter temperaturas mínimas estáveis no frio.

Exigências Regulatórias: ANVISA e a RDC 430/2020

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) estabelece diretrizes rigorosas para o armazenamento e transporte de medicamentos e insumos farmacêuticos. A RDC nº 430/2020 (e suas atualizações, como a RDC nº 653/2021) torna mandatória a qualificação e o mapeamento térmico das instalações de armazenamento.

Entre os principais pontos exigidos pela ANVISA, destacam-se:

  1. Mapeamento Sazonal: O estudo deve contemplar as sazonalidades climáticas extremas — obrigatoriamente verão e inverno — para identificar as variações de temperatura sob piores condições.

  2. Identificação de Pontos Críticos: O relatório do mapeamento deve indicar claramente onde posicionar os sensores de monitoramento contínuo (pontos mais quentes e mais frios).

  3. Análise de Risco e Plano de Ação: Caso sejam detectados desvios de temperatura no inverno, a empresa deve adotar ações corretivas e preventivas (CAPA).

O Papel do MAPA no Armazenamento de Produtos Agropecuários e Alimentícios

Enquanto a ANVISA foca na saúde humana, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) regula o armazenamento de produtos de origem animal, vegetal, bebidas, sementes e insumos veterinários (como vacinas e medicamentos para uso animal).

O controle de temperatura em almoxarifados regulados pelo MAPA é fundamental pelos seguintes motivos:

  • Vacinas e Biológicos Veterinários: Exigem rigoroso controle da cadeia de frio (geralmente entre 2 °C e 8 °C). Se a temperatura ambiente do centro de distribuição cair demais no inverno, instalações sem climatização adequada podem congelar ou alterar a integridade desses imunobiológicos.

  • Insumos e Matérias-Primas: Mudanças de umidade e temperatura podem acelerar a degradação de compostos químicos ou propiciar proliferação de fungos em matérias-primas agropecuárias.

  • Alimentos e Bebidas: O cumprimento das boas práticas de fabricação e armazenamento estabelecidas pelo MAPA exige a comprovação do controle térmico contínuo em todas as fases da distribuição.

Assim como a ANVISA, fiscais do MAPA solicitam laudos e relatórios de mapeamento térmico atualizados, comprovando que a estabilidade dos produtos foi preservada durante os períodos de frio intenso.

Entre em contato e saiba mais!

 

1. Por que é necessário fazer o mapeamento térmico no inverno se o meu galpão já foi mapeado no verão?

O comportamento térmico de um centro de distribuição varia significativamente entre estações. Enquanto o verão evidencia pontos de calor extremo, o inverno revela zonas de resfriamento excessivo e correntes de ar frio. A ANVISA e o MAPA exigem a comprovação de conformidade sob ambas as condições sazonais.

2. Qual é a duração mínima recomendada para um estudo de mapeamento térmico de inverno?

O período recomendado para coleta contínua de dados é de no mínimo 7 dias consecutivos (168 horas), cobrindo dias úteis com operação normal e finais de semana. Isso garante a captura de oscilações térmicas representativas da rotina e das variações do clima externo.

3. O que acontece se o mapeamento no inverno identificar temperaturas abaixo do limite especificado pelo fabricante?

A empresa deve instaurar um plano de ação corretiva. As medidas podem incluir o ajuste do sistema HVAC, a instalação de barreiras térmicas (como cortinas de ar nas docas), o reajuste da disposição dos estoques ou o isolamento das áreas afetadas.

4. Produtos veterinários regulados pelo MAPA exigem as mesmas regras de mapeamento térmico que os medicamentos humanos?

Sim. Produtos veterinários termossensíveis (como vacinas, soros e certos antibióticos) possuem critérios rigorosos de conservação. O MAPA exige que as instalações de armazenagem e distribuição comprovem, por meio de estudos de qualificação e mapeamento térmico, que as temperaturas de conservação foram mantidas dentro da faixa especificada pelo fabricante.

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