Calibração de Instrumentos de Temperatura e Umidade. -

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Calibração de Instrumentos de Temperatura e Umidade

 

A calibração de instrumentos de temperatura e umidade é um procedimento fundamental para garantir a precisão de processos industriais, laboratoriais e logísticos. Dispositivos como termo-higrômetros, data loggers, termômetros digitais e sensores industriais sofrem desgastes naturais e variações operacionais ao longo do tempo. Sem um processo regular de medição e ajuste, pequenos desvios podem comprometer lotes inteiros de produtos, resultar em perdas financeiras e gerar severas autuações regulatórias.

O que é a Calibração de Instrumentos de Temperatura e Umidade?

Trata-se do conjunto de operações que estabelece a relação entre os valores indicados por um instrumento de medição e os valores correspondentes estabelecidos por padrões rastreáveis (como a Rede Brasileira de Calibração – RBC/Inmetro).

A medição precisa de variáveis ambientais e térmicas é essencial em setores críticos como:

  • Indústria Farmacêutica e Cosmética: Conservação de medicamentos, vacinas e insumos sensíveis.
  • Alimentos e Bebidas: Armazenamento, transporte e processamento de perecíveis.
  • Laboratórios de Ensaio e Análise: Validação de testes, reativos e amostras biológicas.
  • Logística e Logística Reversa: Monitoramento térmico durante o transporte em cadeia de frio.

Regulamentação da ANVISA e o Controle Ambiental

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) impõe exigências rigorosas quanto ao controle e ao registro das condições de temperatura e umidade em toda a cadeia de suprimentos de produtos para a saúde.

  • RDC nº 430/2020 e RDC nº 658/2021: Determinam as boas práticas de distribuição, armazenamento, transporte e fabricação de medicamentos. As normas exigem que todos os instrumentos de medição utilitários ou críticos para a qualidade sejam devidamente qualificados e calibrados em intervalos definidos.
  • Mapeamento Térmico e Validação: A ANVISA exige a comprovação de que os ambientes mantêm a faixa de temperatura e umidade estipulada no rótulo do produto. A calibração de instrumentos de temperatura (loggers) utilizados no estudo, são uma garantia técnica que valida esses dados perante auditorias sanitárias.

A Importância do MAPA na Calibração para a Agroindústria

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) monitora rigorosamente os processos produtivos do setor agroindustrial e alimentício para assegurar a inocuidade e a qualidade dos alimentos consumidos no Brasil e exportados.

  • Inspeção de Produtos de Origem Animal e Vegetal (SIF/SISBI): O MAPA exige o controle rigoroso da temperatura de câmaras frias, túneis de congelamento e áreas de manuseio de carnes, laticínios e pescados. O desalinhamento de um sensor pode acarretar proliferação bacteriana ou degradação do produto.
  • Armazenamento de Grãos e Sementes: A umidade relativa do ar e a temperatura do ambiente afetam diretamente o poder germinativo das sementes e a conservação de grãos em silos. Instrumentos descalibrados podem causar perdas por mofo, pragas ou germinação precoce.
  • Auditorias do MAPA: A comprovação da calibração periódica dos equipamentos através de laudos ou certificados rastreáveis é item obrigatório no plano de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) cobrado pelos fiscais do órgão.

Benefícios do Processo de Calibração Regular

  • Segurança Jurídica e Regulatória: Evita interdições, multas e recolhimento de lotes (recall) por órgãos como ANVISA e MAPA.
  • Mitigação de Perdas Financeiras: Reduz o risco de deterioração de mercadorias por desvios imperceptíveis de temperatura ou umidade.
  • Confiabilidade nos Processos: Garante a repetibilidade dos testes laboratoriais e a padronização na produção industrial.
  • Rastreabilidade Metrológica: Proporciona documentação técnica aceita em auditorias de certificação ISO (como ISO 9001 e ISO 17025).

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1. Com que frequência deve ser feita a calibração de instrumentos de temperatura e umidade?

A periodicidade depende do uso, do ambiente de trabalho e das exigências normativas do setor. Em geral, recomenda-se a calibração anualmente. No entanto, setores regulados por ANVISA e MAPA podem exigir intervalos menores (ex: a cada 6 meses) com base na análise de risco do equipamento.

2. Qual a diferença entre calibração RBC e calibração rastreável?

A calibração RBC é realizada por laboratórios credenciados diretamente pela Cgcre/Inmetro, carregando o selo do órgão. A calibração rastreável utiliza padrões calibrados por laboratórios RBC ou internacionais reconhecidos, atendendo à maioria dos requisitos normativos industriais quando executada sob a norma ISO/IEC 17025.

3. Por que termo-higrômetros novos precisam ser calibrados?

Mesmo equipamentos novos saem de fábrica apenas com um controle de qualidade básico ou ajustes padrão. A calibração inicial é necessária para determinar a incerteza de medição do instrumento e estabelecer a linha de base para o seu histórico de uso antes da operação regular.

4. O que acontece se a fiscalização da ANVISA ou do MAPA encontrar instrumentos descalibrados?

A presença de instrumentos sem laudo de calibração atualizado é considerada uma não conformidade grave. As sanções variam desde notificações e exigências de readequação imediata até interdição de áreas, retenção de lotes e aplicação de multas administrativas.

5. Os controladores de temperatura e umidade também precisam ser calibrados anualmente?

Sim. Controladores de temperatura e umidade que são utilizados para monitorar, controlar ou registrar parâmetros críticos do processo devem fazer parte do programa de calibração da empresa. Como boa prática, recomenda-se adotar a calibração anual como periodicidade inicial, podendo esse intervalo ser reduzido conforme a criticidade do equipamento, as condições de operação, o histórico de resultados e a análise de risco.

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