A Importância da Calibração de Instrumentos de Temperatura e Umidade

PORTAL QUALIFICA

  • INICIO
  • Posts
  • A Importância da Calibração de Instrumentos de Temperatura e Umidade

A Importância da Calibração de Instrumentos de Temperatura e Umidade

 

A calibração de instrumentos de temperatura e umidade é um procedimento crítico para garantir a qualidade, a segurança e a conformidade regulatória em diversos setores industriais. Desde armazéns de grãos até laboratórios farmacêuticos, variações mínimas nessas grandezas podem comprometer lotes inteiros de produtos, gerando prejuízos financeiros e sérios riscos à saúde pública e animal.

O Que é a Calibração e Por Que Ela é Essencial?

Calibrar um instrumento, como um termo-higrômetro, sensor PT100 ou datalogger, significa comparar os valores indicados por ele com os valores de um padrão de referência reconhecido. Esse processo identifica desvios (erros de medição) e documenta o desempenho exato do equipamento em um Certificado de Calibração.

  • Garantia de Qualidade: Assegura que o produto final, seja alimento, remédio ou insumo, atenda rigorosamente às especificações técnicas.

  • Redução de Perdas: Evita o descarte de materiais sensíveis a variações climáticas.

  • Decisões Precisas: Impede que sistemas automatizados liguem ou desliguem climatizadores com base em leituras falsas.

O Papel da ANVISA no Controle Ambiental

Para o setor da saúde humana (indústrias farmacêuticas, cosméticas, distribuidoras e hospitais), a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) estabelece normas rígidas de Boas Práticas de Fabricação e Armazenagem, como a RDC 430/2020 e a RDC 658/2022.

A agência exige que as áreas de armazenamento possuam mapeamento térmico qualificado e que todos os sensores do ambiente passem pela calibração de instrumentos de temperatura e umidade periodicamente. O uso de equipamentos descalibrados ou vencidos é uma infração sanitária grave. Medicamentos biológicos, vacinas e produtos termolábeis perdem totalmente sua eficácia se a cadeia do frio for rompida e não houver um registro confiável (calibrado) atestando as condições.

A Importância da Calibração de Instrumentos de Temperatura e Umidade

Exigências do MAPA para o Agronegócio e Indústria Alimentícia

Assim como a ANVISA atua na saúde, o MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária) exerce forte rigor técnico sobre a rastreabilidade, processamento e armazenagem de produtos de origem animal e vegetal. A calibração dos instrumentos de controle térmico e higrométrico é um pilar obrigatório para a certificação, operação e exportação agropecuária.

No âmbito do MAPA, o controle exato de temperatura e umidade é exigido para:

  • Armazenamento de Grãos e Sementes: A umidade excessiva nos silos prolifera fungos e micotoxinas, enquanto a temperatura inadequada destrói o poder germinativo das sementes.

  • Frigoríficos e Laticínios: A garantia ininterrupta da cadeia de frio no processamento de carnes e leite é requisito básico para a obtenção e manutenção do selo S.I.F. (Serviço de Inspeção Federal).

  • Vacinas e Insumos Veterinários: A medicina veterinária exige estabilidade climática perfeita para soros e imunizantes animais, regida por normativas específicas do Ministério.

Sem a devida calibração comprovada por certificados atualizados e rastreáveis, as empresas ficam impedidas de obter registros governamentais e sofrem embargos severos em auditorias fiscais.

 

Entre em contato e saiba mais!

 

1. Qual é a frequência ideal para realizar a calibração de instrumentos de temperatura e umidade?

Não existe uma regra universal fixa, pois a periodicidade depende da criticidade do processo e do ambiente de uso. No entanto, para processos auditados pela ANVISA e pelo MAPA, a prática recomendada e aceita no mercado é realizar a calibração anualmente. Em operações altamente críticas ou ambientes agressivos, o intervalo pode ser reduzido para seis meses.

2. O que acontece se a fiscalização encontrar instrumentos com a calibração vencida?

Em auditorias de órgãos reguladores, utilizar equipamentos descalibrados gera uma não conformidade crítica. As consequências variam desde multas financeiras pesadas e recolhimento de lotes inteiros (recall), até a suspensão do alvará de funcionamento e interdição das instalações até a completa regularização.

3. Qual a diferença entre calibração RBC (Rede Brasileira de Calibração) e calibração rastreável?

A calibração RBC é feita por laboratórios formalmente acreditados pelo INMETRO, seguindo a norma ISO/IEC 17025, e o certificado possui o selo do INMETRO. A calibração rastreável utiliza padrões igualmente confiáveis e rastreáveis nacionalmente, mas o laboratório não possui o selo de acreditação. Em auditorias rigorosas, órgãos como ANVISA e MAPA frequentemente exigem ou dão forte preferência a certificados RBC.

4. Um instrumento novo, recém-comprado, precisa ser calibrado antes do primeiro uso?

Sim. Embora instrumentos novos tenham uma calibração inicial de fábrica, o transporte, as variações bruscas de pressão e possíveis choques mecânicos durante a entrega podem alterar a sensibilidade do sensor. Calibrar o instrumento no laboratório local antes de instalá-lo garante que ele operará dentro das tolerâncias exatas exigidas pelo seu processo e pelas agências reguladoras.

17 de janeiro de 2025

Entenda a RDC 430/2020: as 10 dúvidas mais frequentes

13 de novembro de 2024

Validação de sistemas computadorizados: avanços e práticas para o setor farmacêutico

28 de agosto de 2024

Adequações no transporte farmacêutico após prazo da RDC 430/2020